Category Archives: LIVROS (E OUTROS ESCRITOS)

Be Still My Soul (In You I Rest).

O dark dark dark. They all go into the dark,
The vacant interstellar spaces, the vacant into the vacant,
The captains, merchant bankers, eminent men of letters,
The generous patrons of art, the statesmen and the rulers,
Distinguished civil servants, chairmen of many committees,
Industrial lords and petty contractors, all go into the dark,
And dark the Sun and Moon, and the Almanach de Gotha
And the Stock Exchange Gazette, the Directory of Directors,
And cold the sense and lost the motive of action.
And we all go with them, into the silent funeral,
Nobody’s funeral, for there is no one to bury.
I said to my soul, be still, and let the dark come upon you
Which shall be the darkness of God. As, in a theatre,
The lights are extinguished, for the scene to be changed
With a hollow rumble of wings, with a movement of darkness on darkness,
And we know that the hills and the trees, the distant panorama
And the bold imposing facade are all being rolled away—
Or as, when an underground train, in the tube, stops too long between stations
And the conversation rises and slowly fades into silence
And you see behind every face the mental emptiness deepen
Leaving only the growing terror of nothing to think about;
Or when, under ether, the mind is conscious but conscious of nothing—
I said to my soul, be still, and wait without hope
For hope would be hope for the wrong thing; wait without love
For love would be love of the wrong thing; there is yet faith
But the faith and the love and the hope are all in the waiting.
Wait without thought, for you are not ready for thought:
So the darkness shall be the light, and the stillness the dancing.
Whisper of running streams, and winter lightning.
The wild thyme unseen and the wild strawberry,
The laughter in the garden, echoed ecstasy
Not lost, but requiring, pointing to the agony
Of death and birth.
(excerpt of the poem East Coker by T. S. Elliot)

Caminhada.(3)
Publicado em 30 Agosto 2011

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Plano C – O combate da Cidadania.

Ora vejamos:

O plano A (dos Alarves) falhou e deixou os cidadãos com as calças na mão. O plano B (dos Betinhos) falhou e vai deixar os cidadãos com as cuecas na mão. Parece que já não haverá nada a perder por experimentar o plano C… O que acham?

Ser cristão.

É não se apoderar de nada, mas pedir com gentileza até mesmo a oportunidade de dar algo; ou nem sequer pedir mas apenas manifestar esperança que isso seja possível.

É não ser alguém importante e, ainda assim, ver-se atacado por muitos por causa do seu modo de viver livre, à imagem do seu modelo existencial; ou não possuir quase nada e, apesar disso, ser invejado por tantos que possuem muitas coisas.

É não cessar de se espantar, como já Bérulle se espantava, “face a um mundo poderoso, organizado, triunfante, um punhado de pobres homens sem instrução nem poder; o império eterno foi estabelecido por pobres pescadores calados como peixes, de entre os quais saíram, sem manha nem prudência, sem exército e sem violência.”

É ler com a mesma isenção de preconceitos o polémico Hans Küng e o canónico Timothy Radcliffe.

É acreditar no único revolucionário que há 2 mil anos continua a mudar o mundo e as pessoas que nele vivem: Jesus Cristo.

O vespeiro*.

Em 13 de Junho passado o professor Paulo Guinote, autor do blogue A Educação do Meu Umbigo, dava notícia de ter sido processado judicialmente pelo articulista de causas (contra a malandragem docente) Paulo Chitas, por causa de um texto em que denuncia distorções de dados num artigo da autoria do dito Chitas na revista Visão.

Disso se fez eco aqui no Jardim, no próprio dia (tempos mais folgados…).

Passados pouco mais de 4 meses, no dia 24 deste mês de Outubro, o professor Paulo Guinote voltou a dar uma estranha notícia desse mesmo processo. Nela se fica a saber que, e transcrevo, “O Ministério Público acompanha a Acusação Particular, por entender que nos autos foram colhidos elementos suficientes quanto á [sic] prática pelo arguido Paulo Jorge Alves Guinote de um crime de Difamação agravada” e que “O Denunciante/Assistente apresenta cinco testemunhas (acrescentou duas à lista inicial), entre as quais uma anterior ministra da Educação”.

Tenho (para mim) como única explicação possível para tais enormidades a passagem a realidade da ficção de Jack Finney na obra The Body Snatchers. Ou isso, ou a teoria dos Vespiaries

*Definição no dicionário Priberam: 1. Ninho de vespas; conjunto de vespas.
2. Qualquer local em que repentinamente se deparam perigos, insídias, traições.
3. Conjunto de pessoas de má índole.

Caminhada.(3)

Faz hoje 4 anos e 10 dias que este blogue foi criado na plataforma da IOL (e seria posteriormente apagado sem aviso) e faz exactamente 4 anos que foi mudado para aquela que, pensei  (no meu desconhecimento ainda da impermanência deste mundo virtual), iria ser a sua casa definitiva – o alojamento espanhol NIREBLOG.

O 1.º e 2.º aniversários, em 2008 e 2009, foram assinalados na data de publicação do 1.º artigo, 20 de Agosto, porque ainda existia o primitivo blogue na IOL para o qual podia lincar. O ano passado acabei por não recordar a data por diversas razões.

Este ano decidi comemorar esta memória com a re-publicação (a partir de rascunho: – sim, eu guardo rascunhos de quase tudo) de um dos primeiros artigos, entretanto desaparecido, o excerto (da tradução para português) do poema de T. S. Eliot(1) que está na origem do nome escolhido para este blogue.

Se a palavra perdida se perdeu, se a palavra usada se gastou
Se a palavra inaudita e inexpressa
Inexpressa e inaudita permanece, então
Inexpressa a palavra ainda perdura, o inaudito Verbo,
O Verbo sem palavra, o Verbo
Nas entranhas do mundo e ao mundo oferto;
E a luz nas trevas fulgurou
E contra o Verbo o mundo inquieto ainda arremete
Rodopiando em torno do silente Verbo.


                          Ó meu povo, que te fiz eu.


Onde encontrar a palavra, onde a palavra
Ressoará? Não aqui, onde o silêncio foi-lhe escasso
Não sobre o mar ou sobre as ilhas,
Ou sobre o continente, não no deserto ou na húmida planície.
Para aqueles que nas trevas caminham noite e dia
Tempo justo e justo espaço aqui não existem
Nenhum sítio abençoado para os que a face evitam
Nenhum tempo de júbilo para os que caminham
A renegar a voz em meio aos uivos do alarido


Rezará a irmã velada por aqueles

Que nas trevas caminham, que escolhem e depois te desafiam,
Dilacerados entre estação e estação, entre tempo e tempo, entre
Hora e hora, palavra e palavra, poder e poder, por aqueles
Que esperam na escuridão? Rezará a irmã velada
Pelas crianças no portão
Por aqueles que se querem imóveis e orar não podem:
Orai por aqueles que escolhem e desafiam


                       Ó meu povo, que te fiz eu.


Rezará a irmã velada, entre os esguios
Teixos, por aqueles que a ofendem
E sem poder arrepender-se ao pânico se rendem
E o mundo afrontam e entre as rochas negam?
No derradeiro deserto entre as últimas rochas azuis
O deserto no jardim o jardim no deserto
Da secura, cuspindo a murcha semente da maçã.


                     Ó meu povo

(1) Collected Poems 1909-1962, poem Ash-Wednesday-1930, part V. If the lost word is lost, if the spent word is spent, H. B. & W Inc. Editors, New York, 1963 (pode ler e descarregar o original em inglês aqui), na excelente tradução de Ivan Junqueira (aqui).

Leituras muito recomendadas para este fim-de-semana.

A quem quiser conhecer algumas das ideias do novo ministro das Finanças português, Victor Gaspar, para as políticas económicas e financeiras:
.
Capa do livro - DEE, BdP, div. autores, coord. v. Gaspar, A Economia Portuguesa no Contexto da Integração Económica Financeira e Monetária
clique na imagem para descarregar gratuitamente o livro completo
(clique aqui para descarregar a apresentação/sinopse do livro)
.
Ao novel ministro da Finanças, para se inteirar sobre (ou recordar) aquele que é provavelmente o mais grave problema da Economia nacional:
.
Capa do livro - M. Cadilhe, O Sobrepeso do Esatdo em Portugal

Jornalista ressabiado processa bloguer afamado.

Paulo Chitas, que escreve umas coisas na revista Visão e parece que até tem carteira de jornalista, processou Paulo Guinote, professor e autor do blogue A Educação do Meu Umbigo, acusando-o de difamação, publicidade e calúnia.

Porquê? Por causa deste texto do bem informado professor/bloguer em resposta a um artigo da autoria do dito Chitas cheio de incorrecções e falsidades, publicado na revista Visão em… 7 de Outubro de 2010.

A pergunta imediata é: – Porquê agora?

Reparem que Chitas – durante 8 meses – não responde a Guinote em defesa do que escreveu e das informações que usou.

Porquê? Porque, como o próprio Chitas afirma, as informações com que fundamenta(?!) o que escreve são obtidas “através da outra imprensa, da imprensa diária, da rádio e das televisões” e a revista onde escreve “Não anda propriamente à procura dessas informações, como outras publicações”. Mas, para não deixar dúvidas quanto ao que pensa sobre a fidedignidade da informação que usa, o mesmo Chitas mais afirma que “Em rigor, em rigor, em última análise, eu acho que os próprios jornalistas desconfiam muitas vezes das informações que recolhem e que, por vezes, publicam. Há situações em que não se consegue aplicar à informação recolhida o protocolo que permite aos jornalistas verificar se a informação é jornalisticamente válida.”.

A pergunta  que se impõe é: – Isto é jornalismo?

Aprenda a escovar os dentes em 7 passos

Como é mesmo o provérbio? Apanha-se mais depressa um aldrabão (ou será mentiroso?) que um coxo.

Num país a abarrotar de problemas algumas pessoas que se intitulam jornalistas entretêm-se com ficções destas. Ora, ora…

10 de Junho de 2011 – Antemanhã.

Tejo e mar ao longe
foto original de am.ma
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(penúltimo poema do livro Mensagem de Fernando Pessoa)
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O mostrengo que está no fim do mar
Veio das trevas a procurar
A madrugada do novo dia,
Do novo dia sem acabar;
E disse, «Quem é que dorme a lembrar
Que desvendou o Segundo Mundo,
Nem o Terceiro quere desvendar?»
.
E o som na treva de elle rodar
Faz mau o somno, triste o sonhar.
Rodou e foi-se o mostrengo servo
Que seu senhor veio aqui buscar,
Que veio aqui seu senhor chamar –
Chamar Aquelle que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar.

Uma das melhores descrições do ser professor que já encontrei.

Semear… Os professores são heróis anónimos, fazem um trabalho clandestino. Eles semeiam onde ninguém vê, nos bastidores da mente. Aqueles que colhem os frutos dessas sementes raramente se lembram da sua origem, do labor dos que a plantaram. Ser um mestre é exercer um dos mais dignos papéis intelectuais da sociedade, embora seja um dos menos reconhecidos. Os alunos que não conseguem avaliar a importância dos seus mestres na construção da inteligência nunca conseguirão ser mestres na sinuosa arte de viver.
A história de Cristo evidencia que os mestres são insubstituíveis numa educação profunda, numa educação que promove o desenvolvimento da inteligência multifocal, aberta e ampla, e não unifocal, fechada e restrita. …
.
CURY, Augusto J., Análise da inteligência de Cristo : o Mestre dos Mestres, Ed. Academia de Inteligência, S. Paulo, 1999.

Other People’s Money and How the Bankers Use It.

Uma leitura muito educativa e a propósito deste tempo “efemístico” – infelizmente só disponível em inglês.

Clique na imagem para aceder à leitura do livro completo na página da Faculdade de Direito Louis Brandeis da Universidade de Louisville.

BRANDEIS, Louis, Other People's Money and How the Bankers Use It, 1914

Linque alternativo para leitura integral da mesma obra.