Carta a Gaspar.

Aberta, para que – não dispondo eu de alguém de confiança por quem a enviar – qualquer pessoa a possa levar.

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Senhor ministro Vítor Gaspar,

Dirijo-lhe esta porque o vejo, tal como o governo de que faz parte, tão distante dos cidadãos como estava o famoso general Garcia lá pelas montanhas do Oriente e, tal como ele, encurralado na escolha entre lutar só contra os interesses instalados ou colaborar com a potência federal.

Não tem a presente como objectivo censurar a sua governação, apesar dos seus reconhecidamente medíocres resultados, mas oferecer-lhe ajuda, pois quero acreditar nas suas boas intenções. Também sei perfeitamente que, muito provavelmente, tenderá a não levar a sério a minha oferta, o que será um erro. Mas, também nisto, o aceitar ou não é escolha sua e nada mais há que eu possa fazer, na minha insignificância, para além de oferecer e garantir que a oferta é feita com séria intenção.

Coloco-me, pois, à sua disposição para lhe propor uma inversão da actual espiral recessiva com apenas três medidas, a saber:
– Uma que trará resultados imediatos no relançamento da Economia;
– Outra, que equilibrará rapidamente as contas da Segurança Social;
– Outra ainda, que fará o refinanciamento imediato do erário público.

Nenhuma dessas medidas prevê aumento de impostos ou novos impostos sobre os cidadãos, mais confiscos de parcelas salariais, quebras contratuais nas PPP, taxas sobre capitais ou outras medidas de financiamento com efeitos negativos para o relançamento da actividade económica. Antes pelo contrário.

Gostaria de deixar muito claro que não me dirijo a si em representação de alguém, para além de mim mesmo e de Deus, que não me movem quaisquer interesses comerciais, corporativos ou ideológicos, e que não pretendo posições de poder, influência ou enriquecimento fácil.  Mas, também, que não darei conhecimento das medidas deste quadro de acção gratuitamente, que elas terão um custo, pois não seria de modo algum justo indicar caminhos capazes de resgatar um país sem qualquer compensação.

Por último, quero ainda deixar bem claro que não aceitarei falar com intermediários, qualquer que seja a sua posição no governo ou fora dele, mas apenas com o senhor ministro Vitor Gaspar, em pessoa. Para me fazer saber da sua disponibilidade use, por favor, o e-mail que consta da minha breve descrição pessoal neste blogue onde publico a carta. Fico ao dispor.

Os melhores cumprimentos.

6 responses to “Carta a Gaspar.

  1. Então, ele já marcou reunião?

  2. zedeportugal

    O comentador Observador (um nickname bem escolhido, já agora) sabe com certeza como é o homem… Ainda está a pensar, claro. E, ocupado como parece que irá estar nos próximos tempos a imaginar maneiras de sacar mais impostos aos portugueses, antevejo que a resposta deva tardar.😉

  3. Pois é. Mas se ele fosse inteligente e tivesse curiosidade pelas suas propostas, arranjaria sempre um bocado, nem que fosse, entre uma reunião e outra reunião, desde que soubesse fazer a gestão do tempo, o que eu duvido na medida em que se ele não sabe fazer previsões é porque não sabe gerir os elementos disponiveis. Portanto, não se admire de continuar à espera. O melhor é sentar-se.

  4. zedeportugal

    Mas, meu caro, eu tenho tempo, muito tempo. Ele é que não me parece que tenha. Quanto ao conselho sobre o sentar é inútil, por duas razões: a primeira é que não sou capaz de estar a trabalhar no computador de pé; a segunda é que um conselho serve sempre mais a quem o dá do que a quem o recebe.

  5. Como deve calcular, não o quis ofender com essa expressão final. Quis tão somente dar a entender que aquela gente não tem vagar nem vergonha e não precisam de treinar para pôr os outros a esperar e até a desesperar. E muitas vezes, como VIPs que pensam que são, nem se dão ao trabalho de responder.

  6. zedeportugal

    Não fiquei ofendido. Conheço bem o tipo de pessoa(s) a quem me dirijo na carta e não tenho quaisquer expectativas. Digo aquilo que tenho a dizer e faço como o homem de que fala Horácio (Odes III, 3): … Si fractus illabatur orbis, Impavidum ferient ruinae ….
    Grato pelo diálogo que proporcionou aqui.

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