A capação dos cães e a estupidez do politicamente correcto.

Até onde pode chegar a estupidez do politicamente correcto, neste caso sob a forma da sua subespécie o eugenicamente correcto?

Há uns meses atrás, um outro conhecido meu – português, a este chamemos-lhe P para poupar tempo e escrita – decidiu adoptar um cão, respondendo ao apelo da publicidade institucional politicamente correcta. E, segundo me contou recentemente, foi-se horrorizando em crescendo.

Não querendo (por enquanto) alongar a história pelas manigâncias das (assim chamadas) associações de defesa dos animais, atenho-me por agora contar-vos, devidamente autorizado por quem ma contou, aquela que ele considerou a mais revoltante resposta a uma proposta de adopção de um cão num canil municipal.
Em Outubro deste ano P foi ver o cão que está anunciado aqui(1)  e que se mostra na imagem em baixo:

Confirmou no local aquilo que até na fotografia se vê: que o cão estava doente. Pediu para falar com o veterinário mas, no lugar dele veio ao seu encontro um assessor (assim se terá apresentado) de um qualquer vereador. Perguntou-lhe o meu conhecido se o cão em referência já tinha sido visto pelo veterinário e se este já teria mandado fazer algum tipo de testes laboratoriais ao bicho, pois se encontrava visivelmente doente. Foi-lhe respondido (pelo tal assessor) que o canil não tinha verba para fazer testes, nem para tratar os animais. Uma afirmação que, só por si, é um descarado atentado à saúde pública. No entanto, o canil exige a quem adopte um animal que assine um termo de responsabilidade por ele. Então, o P (que também é de parvo) prontificou-se a pagar do seu bolso os testes que o veterinário considerasse indispensáveis para apoiar um diagnóstico da doença que afligia o canídeo, na condição de poder adoptá-lo inteiro, isto é sem ser capado. Nem pensar! O cão só sai daqui esterilizado. – terá redarguido o assessório. Mas, então… o canil não tem verba para tratar os animais, mas tem verba para pagar a esterilização? É assim. É a lei! – disse o tal. Não é verdade. A lei só obriga a esterilizar os animais das raças consideradas perigosas. Ah, pois! Não é a lei mas são os regulamentos municipais.
Vejamos a lógica da coisa. Eles têm no canil um animal sexualmente activo e doente. Não o tratam por alegada falta de verba. O animal será, pois, entregue em adopção doente. Mas, quem o adoptar tem que assinar um termo de responsabilidade por ele. Mais, antes de o entregarem para adopção, capam-no – e para isso, pelos vistos, já passa a haver verba. A pessoa que assume a responsabilidade pelo animal é assim forçada a aceitá-lo, para além de doente, castrado.

Mas que gente é esta? – exclama por fim o meu conhecido. E aqui, ele esclarece que fala tanto dos que impõem as estúpidas normas, como dos que as aceitam.

De facto, é preciso admitir que parecem estar bem uns para os outros.

O problema do politicamente correcto não é o seu aparecimento enquanto ideia nefasta na cabecinha de uma criatura qualquer – que ninguém está livre de ter ideias estúpidas. O problema, como digo, é essa criatura querer – e poder! – impor a todos os outros essa ideia prejudicial como sendo boa, ou sensata, ou higiénica, em suma, correcta.

(1) Fica guardada uma imagem (print) do anúncio referido, precavendo eventuais apagamentos.

One response to “A capação dos cães e a estupidez do politicamente correcto.

  1. wehavekaosinthegarden

    Sei que os tempos não estão para grandes optimismos mas o futuro pode estar nas nossas mãos se soubermos exercer os poucos direitos que ainda nos restam. Aqui deixo o meu desejo de um 2012 tão bom quanto o possível.
    Kaos
    Wehavekaosinthegarden.blogspot.com

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