Parece haver muita falta de campinos e um excesso de maiorais.

Este  é mais um daqueles (raros) textos que gostaria de ter escrito.

.
“É preciso mudar isto, já não se aguenta.” A frase, com mais ou menos variação, corre de boca em boca com frequência. Emocionamo-nos com os Deolinda e aplaudimos de pé Ana Bacalhau enquanto entoa “que mundo tão parvo que para ser escravo é preciso estudar”. Saímos do Coliseu e, pela rua fora, comentamos para o lado que “os gajos estão cheios de razão”, que “isto era preciso outro 25 de Abril”.

Queremos uma revolução, mas esquecemos que ela tem de começar em cada um de nós, que não podemos ficar à espera que outros a façam. Os outros que a façam que eu agora não posso.
Cantem os Deolinda odes ao “mundo parvo onde para se ser escravo é preciso estudar”. Povo de doutores. E de engenheiros. Povo de mansos que tem medo de lutar.
.
Um povo de mansos
Convidado: Helder Robalo,
no Delito de Opinião, 10.02.11
.
.
… “Mais marradas dá a fome do que um toiro tresmalhado” …

5 responses to “Parece haver muita falta de campinos e um excesso de maiorais.

  1. Foi no domingo que conversei sobre isto com um amigo (na verdade, foi só mais um monólogo), usei o mesmo exemplo, até o mesmo verso. Eu penso que por cá a sensação “somos um grupinho” satisfaz a maioria; todas as situações servem para aglutinar esses grupinhos, onde todos sentem o mesmo, riem do mesmo, gritam, vertem a lágrima pelo mesmo e o conforto de se espelharem uns nos outros basta-lhes. Como criancinhas… Desde que haja alguém que tome conta delas e um grupo de iguais com quem possam sentir coisas em conjunto, está tudo certo.
    O que é que eu faço do meu lado? Nada que se veja. Mas o que há para fazer? Estamos todos vivos. Há uns que ganham com isso, outros que pagam por isso. Há outra posição neste mundo?
    Solução para isto… Não a vou procurar. Encontro uma que serve para mim: Ir para outro sítio (que será mais ou menos como cá) mas onde os gordos têm de dar mais para que os pequenos se calem e paguem. Aqui ser-se infeliz é modo de vida, há um murmúrio de reclamação que serve mais para tema de conversa do que para qualquer coisa útil, nada que incomode muito quem ganha com isso, nada que implique mudança, quanto mais revolução.
    É que por muito lado que se aborde o assunto, por muito à frente que se pense, a verdade é que ninguém traz nada em concreto. Fala-se de verdade. Qual verdade? Fala-se de revolução. Qual? Como e Quando? É para fazer ou é só para se falar do jeito que dava uma? Já gastámos as palavras, por tanto as repetirmos já perderam o seu sentido. Parece que para cada lado só se procura uma coisa: quem vai tomar conta de nós? Somos uns bebés.
    Enfim, é só uma opinião.
    Bom fim-de-semana!

  2. A tomada de consciência de um estado inaceitável é o 1.º passo para a sua mudança. Este é um estado inaceitável da sociedade, mas, tal como nos estados de doença do corpo, é preciso que o sistema imunológico arranque. Como saberá, às vezes é preciso administrar uma dose pequena de um veneno para que tal aconteça.😉
    Bom fim-de-semana também para si.

  3. A tomada de consciência de um estado inaceitável é o 1.º passo para a sua mudança. Este é um estado inaceitável da sociedade, mas, tal como nos estados de doença do corpo, é preciso que o sistema imunológico arranque. Como saberá, às vezes é preciso administrar uma dose pequena de um veneno para que tal aconteça.😉
    Bom fim-de-semana também para si.

  4. Concordando com o texto, e avaliando ainda o tanto que se tem escrito acerca do mesmo por aqui (http://www.facebook.com/note.php?note_id=10150104369774208&id=246899992587) e por ali (http://www.a23online.com/2011/02/07/a-hipocrisia-dos-cotas-que-se-comovem-com-a-musica-dos-deolinda/), não posso deixar de comentar que, ainda que perceba a resposta optimista, me parece que o que já há é veneno a mais… em todo o lado.
    A inegável realidade é a de que todos nos queixamos, mas a Bola é desporto, e o Papa é espiritualidade, e todos os dias todos fecham os olhos por algum motivo, mais que não seja porque estão demasiado cansados e precisam dormir e é bom “passar pelas brasas” enquanto alguém resmunga por nós, e dá voz ao desalento (que tantos já nem ousam) na TV. Nesta por seu turno tudo é a histeria, a hecatombe, a desgraça, o terror, uma palhaçada sem comparação de resultados catastróficos.
    Vivemos num país de coitadinhos e de resmungões, a verdade é só essa.
    Falta vida, faltam respostas, soluções.
    Falta união neste povo que se separa por cansaço e desilusão.
    Na União Europeia restam 3 países socialistas, e ainda assim ganhou novamente este Governo, de que se queixa tanto esta gente ao invés de investir e lutar? De que se queixam quando têm exactamente aquilo que escolheram e que para trabalham?
    Os nossos serviços estão carregados de pessoas que querem receber sem fazer nada, que se arrastam para a frente a para trás a lamentar a vida ao invés de a louvar; nas escolas, de alunos que querem boas notas sem trabalhar; em casa, de pais que querem as refeições prontas sem cozinhar. Para os “serviços” servem os imigrantes, e quando daqui saímos em fuga, passamos a fazer de tudo com gosto…
    Perdoe-se-me a prosa (ou o desabafo, quiçá) mas estou cansado também. De ouvir reclamar, dos colegas que resmungam e não se levantam para votar, dos jovens que acham tudo injusto e exigem o que não há, dos lamentos dos pais que lhes prometeram uma realidade que jamais lhes poderiam dar, dos vizinhos chineses que parecem não dormir, protegidos por leis hipócritas, dos lamentos escritos e repetidos acerca dos mesmos temas, de todos os que continuam a achar que é com guerras que se ganha a paz.
    Acho que no fundo, política e religiões à-parte do que nos esquecemos foi de saber ser felizes.

  5. João,
    Li atentamente, mais do que uma vez, o seu comentário, porque gosto de responder a quem tem a amabilidade de aqui deixar sinal de escrita. No entanto, parece-me um pouco confuso…
    O que falta neste povo não é bem uma união, é mais um desígnio comum. Durante séculos sempre tiveram os portugueses oportunidade(s), para procurarem fora do seu país o lugar para construírem uma vida maior. (E, os governantes, manhosos, que já perceberam isso, promovem e incitam indecentemente à emigração, sangrando ainda mais este país dos seus melhores que tanta falta lhe fazem no presente.) Agora, que precisavam de construir o seu próprio país, os portugueses não sabem como, porque são guiados por incompetentes – são cegos a conduzir outros cegos.
    Portanto, a primeira coisa que os cidadãos devem fazer é livrar-se dos guias cegos, que é como quem diz, dos políticos incompetentes, mal-formados e sem valores. Depois de uma ou várias depurações da actual plutocracia dos oportunistas que se guindaram aos lugares de eleição, começarão forçosamente a aparecer outros melhores. Porque posso eu afirmar isto? Porque conheço alguns, vários, que já perceberam, por exemplo, que este povo precisa de ser educado para a democracia pela própria democracia. A maioria dos portugueses não faz, infelizmente, a mínima ideia do que significa viver em democracia. Ninguém nasce democrata; aprende-se a ser democrata. A democracia aprende-se pela prática. Só as democracias participativas permitem essa prática, logo a aprendizagem. A actual democracia dita representativa já não representa os portugueses e não lhes permite quaisquer actos de participação de cidadania. Por isso é que é imprescindível e urgente mudar a democracia em Portugal.(http://democratadirecto.wordpress.com/)

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s