Uma nova cultura de ensinar e aprender.(3)

Continuado daqui (1) e daqui (2).
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Quero supor que este artigo, colocado pelo Paulo de forma discreta, seja uma reacção – quiçá mesmo, uma bem intencionada tentativa de iniciar uma discussão? – ao 2.º postal desta série sobre a cultura do aprender e do ensinar que vem sendo publicada aqui no Jardim.
Julgo que este 3.º e último postal responderá, de certa forma, a algumas das questões levantadas pelo autor do artigo em referência, Salvador de Sousa, professor – e não ex-professor como ele diz, porque não se deixa de ser professor quando se deixa de leccionar: ou se é, sempre, ou nunca se foi.
Cá vai a 3.ª e última parte.
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15. Toda a aprendizagem é (deve ser) orientada por objectivos e não por unidades lectivas (tempos).
Isto não significa, de modo algum, que a estruturação da distribuição e dos períodos destinados às diversas actividades dentro da Escola não tenha que ser feita – senão será o caos. O que se critica aqui fica bem ilustrado, por exemplo, pelo professor(a) que logo na 1.ª aula, mesmo sem conhecer uma turma (e a sua velocidade de progressão na aprendizagem), marca os testes para todo o ano lectivo.
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16. Por outro lado, nenhum professor pode/deve ser responsabilizado pela não aprendizagem de algum ou alguns dos seus alunos.
Ninguém pode obrigar outra pessoa a aprender. O processo de aprendizagem livre (não coerciva) é auto-motivado, isto é, depende da vontade de quem aprende – querer aprender.

17. A aprendizagem em grupos (turmas) estruturada por tempos lectivos parte forçosamente do pressuposto que todos os membros do grupo podem aprender à mesma velocidade – o que é falso.
Uma forma de ultrapassar esta questão é tentar que os indivíduos funcionem mesmo em grupo – trabalhando em conjunto, auxiliando-se mutuamente. No entanto, isto é agora praticamente impossível de fazer em meio escolar, porque os actuais sistemas de avaliação académica promovem o individualismo e a competição pela (falsa) certificação, em si mesma e não como corolário do saber ou da competência.
(Sim, isto tem muito de política: é o resultado de uma sociedade “de tendência igualitária” que não premeia a competência e, principalmente, não castiga a incompetência… E, sim, estou mesmo a pensar nesses em que você está a pensar também.)
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18. Os actuais sistemas de avaliação/certificação (como diz, e muito bem, o autor do vídeo em baixo) só promovem a desonestidade no processo de aprendizagem e favorecem os desonestos nas provas.
Um dos pressupostos mais nefastos da cultura educativa portuguesa é o de que não é permitido falhar. Quem erra cria para si, da parte dos outros, um estigma de incapaz. Ora, não é possível aprender, de facto, sem errar – tal como é referido já no ponto 13. do postal anterior a este.

19. Uma nova cultura de ensinar e aprender não começa na Escola (toda a gente já sabia esta, não é?). Começa em casa, no trabalho, nas férias… qualquer lugar serve para aprender àquele que o deseja.
Aprender começa por ser uma opção e torna-se depois uma “adicção” (do inglês addiction – vício, dependência). Como diz o autor do vídeo, o conhecimento não é como um hamburguer: quando se partilha, não só não se fica com menos, como muito provavelmente acaba por se ficar com mais.

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Nota: O facto de ninguém estar disponível neste momento (ou neste lugar, ou neste contexto, ou…) para discutir este assunto não impede que ele tenha que ser discutido, mais cedo ou mais tarde. Share what you know, diz o autor do vídeo mesmo no final. I’ve shared: now it’s your turn…😉

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