A ‘redução da necessidade’ na Economia portuguesa.

Banco alimentar parlamentoDe entre as (muitas) “pérolas” escritas do relatório do OE 2011 seleccionamos a seguinte:

As necessidades líquidas de  financiamento da economia portuguesa reduziram o seu peso no PIB, no primeiro semestre de 2010, face a igual período do ano anterior, passando de 10% para 9,5% do PIB (…). Para este resultado contribuíram o aumento da capacidade de financiamento do sector das famílias e instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias, bem como a redução da necessidade de financiamento das sociedades não financeiras.
(Orçamento de Estado para 2011 – Relatório, Outubro de 2010, p. 21)

Aumento da capacidade de financiamento do sector das famílias? É preciso ter descaramento! Não será antes a diminuição do consumo? E, com que então, redução da necessidade de financiamento das empresas? Esta afirmação faz-me lembrar de uma anedota que contava o meu saudoso pai.

Um certo lavrador tinha fama de forreta. Certa vez, num final de dia de trabalho e tendo visitas, para se exibir mandou o criado de casa levar um cesto de pão aos assalariados. Saído o criado, os visitantes perguntam ao lavrador, disfarçadamente, quantos homens levava ele a trabalhar. O lavrador, envaidecido, referiu um número bastante grande. Um dos visitantes aproveita o ensejo para mencionar que achava muito pouco o pão para tantos homens. O lavrador não respondeu até que o criado voltou com o cesto vazio. Só então, mandando-o parar, lhe perguntou em frente dos visitantes se o pão tinha chegado. O criado, homem prudente e avisado, respondeu que sim, que tinha chegado, pois assim que o pão se havia acabado, assim os homens tinham deixado de comer.

Que conclusão tiraria o actual ministro dos impostos e da insolvência nacional desta historieta? Seguramente, que teria havido uma redução da necessidade de comer dos tais assalariados.

One response to “A ‘redução da necessidade’ na Economia portuguesa.

  1. Visto que os Políticos, os Media e os Procuradores estão todos nas mãos da Alta Finança e do Grande Capital, que resta fazer aos cidadãos? Manifestações, cartazes e palavras de ordem? Ou limpar-lhes o sebo a todos?

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