A Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico.(2)

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Atendendo ao que escrevia aqui o João Pedro Graça (supondo que seja ele a escrever) no passado mês de Junho, o número de assinaturas recolhido até aquela data rondaria somente as 3 mil e tal, das 35 mil necessárias para poder levar à votação no Parlamento a ILC que pretende suspender o aberrante Acordo Ortográfico imposto aos portugueses sem discussão pública.

Ora, isto causa-me uma enorme perplexidade. E levanta algumas perguntas que me incomodam:

Porque não enviaram ainda a sua assinatura na ILC as mais de 110 mil pessoas signatárias deste manifesto/petição anterior, que pretendia exactamente a mesma coisa?

Porque não assinaram já a ILC os mais de 76 mil membros  da Causa “Não queremos o Acordo Ortográfico” posta a correr no Facebook pelo João Pedro?

Por favor, alguém mais perspicaz do que eu pode explicar-me esta ocorrência que não me faz qualquer sentido?

Nota: Demora no máximo 10 minutos a descarregar, imprimir e preencher a folha de recolha de assinaturas. Custa no máximo o preço de 1 selo de correio enviar a folha preenchida para a morada de recolha – isto se não quiser digitalizá-la, após o preenchimento, e enviá-la em anexo a um e-mail para o endereço de recolha.

8 responses to “A Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico.(2)

  1. Zé, meu caro amigo
    este seu post merece comentário considerando apenas, e só, a amizade. Leia portanto como se fosse uma conversa e nesse sentido, conhecendo-me, desconsidere o jeito já que não tenho a mais pequena pretensão nem o topete de lhe ensinar nada. Vamos lá ver se consigo.
    Dividamos o seu post na sua perplexidade
    1 – a fraca resposta/adesão e 2 – o Acordo – sim ou não?
    As razões para a fraca adesão à Petição
    Infelizmente meu amigo a esmagadora maioria das razões entroncam nas razões pelas quais ainda hoje funcionamos (portugueses) assim: as que me levam a ser muito céptico e ter em princípio muitas suspeitas sobre o que quer que seja. São inércias e atavismos de que duvido consigamos livrar-nos em duas gerações (neste caso a crise e a ausência de crescimento económico por uma década vão fazer-nos estiolar em termos de colectivos).
    Zé, encontra as razões se considerar que a Petição surge da iniciativa de pessoas que, estou em crer, não têm “sustentação” em termos de reconhecimento público. É gente que, como você ou eu, não passam de “ilustres anónimos”. E que além disso têm o topete de bem ou mal exporem as suas razões independentemente de outrém. E que ainda por cima, se atrevem a fazê-lo ao arrepio ou sem o aval/consentimento dos reconhecidos crânios (que os há de um e de outro lado) o que leva a que estas iniciativas surjam como concorrentes às tomadas por essas capelas que entre outros objectivos têm o de servirem para independentemente do objectivo apreciar, pesar, ponderar a representatividade – essa representatividade é apenas um dos barómetros que lhes permite ir aferindo a fiabilidade do diapasão deles, mantê-los no grid sempre em lugares que garantam ser dos primeiros a chegar à primeira esquina da oportunidade … como vê tudo, mas tudo, nos transporta para os meandros labirínticos que montaram paciente e paulatinamente ao longo de décadas e que passou de pais para filhos e dos filhos para os netos.
    Se pensar e aceitar por válidas pelo menos algumas das razões constatará ,que não há razões para “perplexidades”. Tudo normal e dentro das bandas de segurança ou seja, daqui não surgiu nenhum cisne negro.
    Nunca se esqueça do balde de água suja que lhe despejaram em cima porque você teve o atrevimento de surgir a fazer propostas desalinhadas ou, no mínimo, não concertadas com o Maquiavel de Mafra. Foi uma lição que não deve esquecer como para mim foi uma confirmação.
    Não sei se consegui explicar (pela rama, em termos gerais) mas, como disse antes, fico na expectativa de que o resto fará o mediano conhecimento que você tem sobre a minha pessoa e as linhas com que me coso.
    Sobre o Acordo Ortográfico
    Nada, nunca comentei nenhum escrito seu sobre ao assunto. Em primeiro lugar, porque teoricamente digamos, concordo mas simultaneamente, em termos práticos, acho que é uma guerra, naturalmente, perdida. Porque creio ser uma “guerra perdida” – escrevi em tempos (posso ir procurar ao arquivo … já que nem sei se o fiz aqui no “Pleitos” se foi no “Causas e Coisas” mas se foi, tenho os prints). O que faz desta uma “guerra perdida” (embora legítima e natural) — por isso a vejo como uma bravata — tem tudo a ver com os outros e muito pouco connosco – ausência de massa crítica (significa que somos para aí 9 milhões em 200 milhões de falantes) and so on …
    Receba, meu amigo, um abraço
    David Oliveira
    P.S.: já agora — terá(?!)pouco a ver com as tais razões “para” — recomendo que leia/estude, por exemplo
    “Oligarquia e Caciquismo em Oliveira Martins, Joaquin Costa e Gaetano Mosca;
    “Elites Locais e poder municipal. Do Antoigo Regime ao liberalismo” de Silva Fernandes;
    “Política popular e notáveis locais em Portugal” de José Tengarinha;
    “As dinastias liberais. Relações de parentesco entre os membros do Parlamento no período da Monarquia Cosntitucional” de F. Moreira;
    “O Partido Republicano Nacionalista – … organização interna e elites” de M. Baiôa

  2. Caríssimo “Zé de Portugal”,
    Antes de mais devo agradecer-lhe – de novo, publicamente – a sua extraordinária militância nesta Causa que é de todos.
    E por maioria de razões devido também a este seu último post sobre o assunto, que reflecte na perfeição (como presumo calcule) as minhas próprias “perplexidades” quanto à (fraquíssima) adesão que a ILC colheu, em termos de número de assinaturas. De facto, devo confessar, mesmo depois de tudo visto e revisto, ainda assim se torna um bocado difícil de compreender.
    Porém, felizmente e em muito boa hora, o excelente comentário de David Oliveira vem lançar um nada despiciente jorro de luz sobre estes meandros da Internet e das Causas que nela circulam.
    Com a devida autorização de ambos, e porque se trata de matéria que interessa a toda a gente, tomarei a liberdade de transcrever o seu artigo e o comentário daquele seu visitante no blog da ILC.
    Além das razões brilhantemente aduzidas pelo referido blogger David Oliveira, todas certeiras, todas cirurgicamente escalpelizadas, parece-me que seria ainda de acrescentar apenas mais três: primeiro, a minha responsabilidade pessoal, nada de escamotear e de alijar, que reconheço sem rebuço e que aceito sem pestanejar, já que não passo de um simples ser humano, com as suas limitações e idiossincrasias; em segundo lugar, o simples facto de esta ser a primeira (verdadeira) ILC de sempre, com tudo o que isso acarreta (ou acarretou) em termos de desbravamento, com as dificuldades e erros inerentes a tudo o que é desconhecido e nunca antes feito; por fim, em terceira ordem, realce-se o facto (apenas aflorado por David Oliveira) de ter havido, desde o início (Novembro de 2009), um boicote generalizado à iniciativa. Refiro-me, neste caso, não ao boicote da imprensa situacionista (que até promoveu, e muito, a ILC) ou da opinião pública pró-acordo mas, pelo contrário, ao boicote levado a cabo pelos mais diversos grupos , organizações e personalidades “anti-acordistas”; fará o favor de, por exemplo, verificar o que se passou no passado dia 7 de Junho e, sabendo que o afluxo de assinaturas caiu a pique a partir dessa data, tirar as suas próprias e certamente muito acertadas conclusões.
    Mas isto ainda não acabou, caro amigo. Ainda há vindima, ainda há cestos.
    Mais uma vez, muito obrigado por tudo.
    Um abraço.
    JPG

  3. Eu estou de acordo com o acordo ortográfico. Não é que não fizesse uma alteração aqui ou acolá, mas as vantagens de ter uma língua escrita por igual por duzentos e tal milhões são enormes. A ortografia, em qualquer língua, não é solidificada.

  4. .
    Caro amigo David,
    Agradeço-lhe muito, e digo-o com toda a sinceridade, o seu “post” dentro do “post”.
    Ainda bem que o escreveu, pois aquilo que refere (supostamente) “toda a gente sabe” mas é preciso escrevê-lo para que toda a gente fique mesmo a saber.
    .
    Caro amigo JPG,
    Não percebo porque me agradece e fico sempre um pouco constrangido com isso. Eu, nós, todos aqueles que partilham esta causa é que estão em grande dívida para consigo – pela iniciativa e pela coragem de a levar a cabo.
    Confesso que não tenho ideia nenhuma do que possa ter-se “passado no dia 7 de Junho”, como refere, relacionado com esta causa… Por favor, pode ser um pouco mais preciso? (se não quiser sê-lo aqui, envie-me um e-mail se achar útil)
    .
    A ambos, um grande abraço de amizade.

  5. Tenho lido opiniões de pessoas que consideram que este «acordo» tem vantagens enormes. Não sabem sequer qual é o «acordo», nem sabem explicar concretamente as suas vantagens, mas sabem que elas são enormes – porque sim, porque é politicamente correcto, porque foi essa a mensagem que foi insinuada pela propaganda e porque o que é bom é ser tudo uniforme e tudo igual em todo o lado.
    Ora, toda a uniformização conduz a um empobrecimento – e quem defende o empobrecimento da Língua Portuguesa é porque não a conhece nem a enaltece.
    E quem assina uma página na internet a dizer que não concorda e depois não assina um papel a dizer o mesmo, é porque… é comodista? mudou de opinião? tem receio de represálias? … no mínimo, é muito estranho que isso tenha acontecido a tantos milhares de pessoas em simultâneo!
    Para não me alongar demasiado, e como complemento, permito-me deixar aqui esta sugestão – Cultura, Património e a Língua Portuguesa:
    http://aimagemdapaisagem.nireblog.com/post/2009/12/31/297-cultura-patrimonio-e-a-lingua-portuguesa

  6. Caro Zé de Portugal,
    O que se passou no dia 7 de Junho foi isto: http://bit.ly/a2739K
    Desculpe não o ter explicitado à primeira; julguei que estaria a par.
    A Lusa (primeira aderente ao AO, de entre os “media”), que sempre ignorou olimpicamente o lado contrário, funciona como porta-voz oficial dos interesses (dos) acordistas; logo, foi com satisfação e babando-se de gozo que deslocou para o Palácio de Queluz, naquele dia, não sei quantos jornalistas; e é claro que a “cacha” saiu em tudo quanto é jornal ou blog “de referência”.
    Escusado será dizer que o que passou para a opinião pública foi isto: não adianta fazer nada contra o AO, é uma causa perdida, pronto, acabou-se.

  7. Joaquim Portela

    É um facto que os brasileiros tem dificuldade de entender os portugueses.
    A minha experiência pessoal diz-me que nós os portugueses temos mais facilidade de entender os brasileiros. Porquê? Porque temos facilidade de fazer analogias.
    Explico: Quando estou no Brasil e a minha mulher me diz que uma viatura foi pega pela policia rodoviária numa blitz, eu tenho que reinterpretar e dizer a mim mesmo que a brigada de trânsito fez uma ronda (ou operação stop) e multou o infractor.
    Quando algum treinador de clube de futebol dá uma conferência de imprensa para avaliar o desempenho da sua equipe eu tenho que me preparar para ouvir o cara falar na coletiva que o seu time comportou-se muito bem e fez gols castigando o goleiro do time adversário.
    Bom: Eu quis somente brincar um pouquinho com as palavras e dar uma breve ideia da barafunda que vai ser com este malfadado acordo.O art.2 do acordo diz que os estados tomarão medidas para elaborar um vocabulário comum. Que vocabulário?
    As minhas razoes para estar contra o acordo, tal como árduamente explico á minha mulher (brasileira carioca) assenta no pressuposto de que todos os povos merecem ver nas suas línguas maternas e expressão das suas individualidades. Nós portugueses temos a nossa, os brasileiros estão já tão influenciados pelos norte-americanos que o resultado está á vista, já criaram outra língua á qual (e com toda a razão) deveriam chamar brasileiro e deixar de dizer que falam português.
    O real problema do Brasil é sem duvida a sua grandeza, territorial e étnica e o resultado é um produto, grande sim, mas mal acabado.
    Quem sofre com isso são os outros povos.

  8. Caro Joaquim Portela,
    Bem-haja pelo seu excelente testemunho, na primeira pessoa.
    Um precioso saber de experiência feito que nunca pôde ser ouvido publicamente… porque nunca houve discussão pública do assunto em Portugal.
    Um abraço.

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