Os socialistas ‘dos bolsos rotos’ e a nova agressão fiscal.

Numa cena do filme de Bertolucci intitulado 1900, que vi há muitos anos atrás, ouve-se uma frase que nunca esqueci: Olmo Dalcò, o rapazinho filho de um trabalhador rural comunista, diz ao seu amigo Alfredo Berlinghieri, filho de um grande proprietário rural, a propósito da sua crónica falta de dinheiro, “sou socialista dos bolsos rotos”.
Socialismo (a agressão do)Enquanto anda toda a gente entretida a discutir os aumentos de impostos  previstos no PEC para 2011, desde o final do ano passado, muito discretamente, o governo – provavelmente nas pessoas do seu primeiro ministro e do seu ministro das Finanças – ordenou uma nova agressão fiscal sobre os contribuintes. Poucas notícias sobre o assunto têm saído nos jornais mas, por exemplo, muitos cidadãos automobilistas terão já notado (alguns por seu próprio prejuízo) também um aumento da pressão fiscalizadora das polícias de trânsito, num recrudescer do que vulgarmente é designado por “caça à multa” no início deste ano.
Tal como o Olmo, também os gestores socialistas da coisa pública em Portugal, o Estado, têm os bolsos rotos e, por isso, cada vez estão a ir mais ao bolso dos portugueses. Como, se os impostos não aumentaram ainda? Através de uma renovada fúria cega e indiscriminada de penhoras, coimas e multas.
Mas, o resultado dessa agressão vai ser pífio e só servirá para aumentar, ainda mais, a conflitualidade social (a qual virá a transformar-se num sorvedouro de recursos por causa dos gastos crescentes com a segurança pública). Porquê? Porque o universo de incidência destas cobranças é agora incomparavelmente menor e os continuadamente perseguidos já possuem muito pouco – nalguns casos, mesmo nada – de que o Estado se possa apropriar.
O que acontecerá a seguir, com elevado grau de probabilidade, já o venho prevendo desde há muito e este será o momento de o publicar*.

(a continuar)

*Se o houvesse feito antes, poucos estariam dispostos a aceitar dada a animosidade que este governo conseguiu fazer veicular nos meios de comunicação contra os contribuintes acusados (condenados e executados sem produção de prova) de faltosos – denunciados, perseguidos e expostos na praça pública como perigosos criminosos na Idade Média –, falsidade esta que o tempo e os sucessivos abusos contra muitos dos menos favorecidos foram sucessivamente desfazendo.

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