O dinheiro enquanto dívida – Money as debt

Espantoso não é decorrer uma crise financeira, mas apenas ter demorado tanto tempo a aparecer.

Perceba porquê:

 

 

A economia irlandesa entrou em recessão no segundo trimestre do ano, tornando-se, assim, o primeiro país da Zona Euro a entrar em recessão.
Após dois trimestres consecutivos de contracção económica, a Irlanda entrou em recessão técnica, definida como dois trimestres consecutivos de contracção do PIB em cadeia. No segundo trimestre, a Irlanda contraiu-se 0,5% face aos primeiro três meses do ano, altura em que já tinha registado uma contracção de 0,3%.
Esta recessão coloca um ponto final em mais de uma década de expansão económica iniciada em meados dos anos 90 e impulsionada pelo sector exportador. Na última década, a economia irlandesa cresceu a uma média 7% ao ano, três vezes a média da Zona Euro. …
(Jornal de Negócios, Economia Irlandesa entra em recessão, por Ana Luísa Marques, publicado 25 de Setembro 2008)

… A definição técnica de recessão mais consensual entre os economistas é a de um crescimento negativo do produto em dois trimestres consecutivos. De acordo com esta definição, Portugal, nos últimos anos, não está em recessão. 2003 foi o único ano de crescimento negativo do produto: nesse ano o produto português terá diminuído 0,8%. Em 2005, cresceu 0,5%, em 2006, 1,2% e, em 2007, a economia portuguesa cresceu 1,9%. …
Estimativas num trabalho de investigadores do Banco de Portugal indicam que entre 2001 e 2005 o produto potencial português variou entre 1 e 1,5%. …
(A recessão da economia portuguesa: uma questão semântica? publicado 7 Março 2008, por Fernando Alexandre no blogue A Destreza das Dúvidas)

Oh, pá! Coitadinhos dos Irlandeses! E se nós lhes mandassemos o nosso inacreditável ministro dos impostos das finanças, para os enterrar ajudar nesta hora de crise?

… Interrogado sobre o “timing” para a adopção destas medidas, o titular da pasta da Finanças frisou que as mudanças a introduzir “não serão de curto prazo ou de emergência”.
“Sejamos claros: Portugal não está numa situação de emergência; quem está numa situação de emergência são os Estados Unidos”, vincou.  …
(Semanário, Pequenos bancos sem “funding” poderão entrar em colapso, 26 Setembro 2008)

Exactamente como se vê por aqui:

Por exemplo o Deutsche Bank, mais endividado do que a média (rácio de alavancagem de 50), tem passivos de dois biliões de euros, ou seja, mais de 80% da dimensão da economia alemã! … (Meia Hora, E se a “coisa” chega cá? por Filipe Garcia, 26 Setembro 2008, pág 19)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em alta o valor estimado das perdas relacionadas com a crise financeira para 1,3 milhões de milhões de dólares (quase 900 mil milhões de euros). Este valor fica 30% acima da previsão anterior. … (Meia Hora, Perdas chegam aos milhões de milhões, 26 Setembro 2008, pág 18)

As taxas de juro do mercado monetário continuam em forte alta, revelando que os bancos estão cada vez mais relutantes em emprestar dinheiro entre si, à medida que cresce o pessimismo sobre a aprovação do plano para combater a crise nos Estados Unidos. … (Meia Hora, Euribor não pára de alcançar recordes, 26 Setembro 2008, pág 18)

Oh , pá! Coitados dos alemães! Os portugueses têm mesmo sorte, como aliás se pode ver a seguir:

Crise chega à banca portuguesa
A economia parou. Não há liquidez no sistema, os bancos estão sem liquidez e a venda de activos é lenta. Por outro lado, não há poupança para substituir o endividamento externo dos bancos nacionais. E a banca praticamente depende da liquidez cedida pelo banco central, que este ano é 23 vezes superior à do ano passado. …
(Semanário, Pequenos bancos sem “funding” poderão entrar em colapso, 26 Setembro 2008)

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