O nacional socialismo português.

perversi difficile corriguntur et stultorum infinitus est numerus (Ecclesiastes, 1, 15, Vulgata Latina)

 

Socrates Mein Kampf

 

 

A teoria (die Theorie):

Durante 2007 e 2008, melhoraram-se as condições para um ambiente mais favorável aos negócios e ao empreendedorismo, reduziu-se a malha burocrática, simplificaram-se procedimentos, incentivou-se a contratação de jovens qualificados, apoiou-se a investigação, reforçou-se o sistema científico, promoveu-se a internacionalização da economia portuguesa e das suas instituições de ensino superior e investigação e melhorou-se o quadro de financiamento para a criação e desenvolvimento sustentado das empresas. (I.1.1. Um Plano Tecnológico para um novo ciclo de crescimento e emprego, Lei n.º 41/2008 de 13 de Agosto, Grandes Opções do Plano para 2009, Cap.1)

 

 

A Prática (die Praxis):

António Lopes reabriu a fábrica de fiação depois de a ter adquirido em Dezembro de 2005, num processo de insolvência no Tribunal da Covilhã, mas até hoje nunca houve trânsito em julgado da aquisição.

A recuperação da empresa “tem sido feita com capital próprio dos gerentes, porque sem o processo concluído, não temos acesso à banca”, disse o empresário.

Por outro lado, “a Fiper depende do trânsito em julgado para boa cobrança de 388 mil euros de IVA, ao passo que as dívidas ao fisco são de 36 mil euros. É fácil fazer as contas”, desabafou António Lopes.

Uma notificação de uma penhora, recebida no dia 06 de Agosto, foi a gota de água que fez transbordar o copo. “Temos dinheiro para a pagar, mas já chega de brincadeira”, disse.

Simbolicamente António Lopes entregou as suas próprias chaves [da empresa] ao chefe da repartição de Finanças [da Covilhã] naquele dia. “Já não basta limitarem a nossa gestão, ainda nos querem levar o dinheiro que temos disponível. Se é assim, que venham gerir a fábrica”, justificou.

“As chaves lá estão, a empresa está encerrada e os 48 trabalhadores estão de férias. É nossa intenção continuar assim até que seja revogada a penhora”, sublinhou. (Empresário entregou chaves da empresa nas Finanças em protesto contra acção do Estado, Público/Lusa, 11.08.2008)

 

 

A explicação (die Erklärung):

O que se passa actualmente em Portugal com a classe política dirigente, não é mais do que a confirmação da velha «lei de bronze da oligarquia», com que Robert Michels interpretava a evolução de um sistema partidário estabilizado. Numa palavra, a classe política dirigente acaba por ser maioritariamente constituída, ao fim de algum tempo da duração de um regime, por gente que subtilmente vai tomando o controlo dos partidos, e que, uma vez no comando, se bloqueia e isola do resto do mundo, afastando os elementos de renovação. … O distanciamento em relação à realidade, mesmo até a insensibilização em relação aos problemas das pessoas ditas comuns, é um corolário lógico desse processo. (A Lei de Bronze, por Rui A., 13 Agosto 2008, Portugal Contemporâneo)

 

2 responses to “O nacional socialismo português.

  1. Grande análise!
    São os nossos dirigentes no seu melhor de sempre!!!

  2. «Ohne Kampf, kein mampf»? Ou será ao contrário? Estes tomam tudo de bandeja e depois obrigam-nos a ir à luta.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s