A emigração e os falsos números do desemprego em Portugal.

Mais uma das muitas “engenheirices” impostoras deste governo de p.s. (patranhas suasivas).

economia ao fundo

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Tese:

Entre 2005 e 2007, isto é, durante a presente legislatura ps (pseudonímia socialista), terão emigrado para o estrangeiro cerca de 300 mil portugueses à procura de emprego, o que representa um enorme acréscimo aos 440 mil desempregados registados pelos dados estatísticos oficiais no último trimestre de 2007.

Só esta correcção aos dados oficiais, que outras há e sempre para valores mais elevados, o número de desempregados no final de 2007 seria de 740 mil num total de 5, 188 milhões de pessoas empregadas (segundo o INE), o que representa aproximadamente 14,3% da população activa presente.

Se os mesmos cálculos forem efectuados com os números corrigidos de desempregados presentes no país em 2007, que se aproximam dos 589 mil, então teremos um número total de portugueses não empregados em Portugal de 889 mil, o que representa aproximadamente 17, 1% da população activa presente.

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Argumentação:

A obtenção de dados sobre a emigração portuguesa tornou-se muito difícil desde 2003, altura em que o INE deixou de recolher dados sobre o assunto. Porquê?

“… Mafalda Durão Ferreira, ex-subdirectora-geral dos Assuntos Parlamentares, afirma que a inexistência de números reais sobre a emigração «alivia as estatísticas do desemprego». …” (O Emigrante/Mundo Português, Portugal continua a ser um país de emigrantes, 18 Março de 2008)

A única hipótese seria recolher dados nos países de acolhimento, tarefa quase impossível para um cidadão comum. Contudo, com alguma paciência e persistência conseguem obter-se alguns números indicativos para suporte de uma estimativa bastante plausível.

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1. As principais estimativas são coerentes e apontam o número 100 mil por ano:

“… Existem estimativas de que partem anualmente entre 80 mil e 100 mil portugueses, mesmo que o façam temporariamente, o que representa 75,2% dos que emigraram em 2003, segundo o Instituto Nacional de Estatística …” (Diário de Notícias, Portugal continua a ser um país de emigração, Céu Neves, 9 de Agosto de 2006)

“… Desceu o número de trabalhadores a descontar para a Segurança Social. Segundo os últimos dados do Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, em Outubro do último ano (2006) estavam inscritas como pessoas singulares na Segurança Social com remuneração declarada e contribuições pagas 3.418.701. Um valor que representa uma queda de mais de cem mil pessoas face a Janeiro do mesmo ano (2006) quando estavam inscritas 3.526.180 pessoas. …” (In Verbis – Revista Digital de Justiça e Sociedade, Menos 100 mil a descontar, 25-Fev-2007)

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2. Dados parcelares suportam as estimativas principais:

“… «Todos os anos, 25 mil portugueses vão para França trabalhar», uma situação que é o «reflexo da crise e da falta de perspectivas» de quem vive em Portugal, considerou o dirigente da OCPM (Obra Católica Portuguesa das Migrações) …” (Portugal Diário, França: 25 mil portugueses emigram por ano, 22-01-2008)

“… o Ministério do Trabalho espanhol já indica 101 818 portugueses em Dezembro de 2007, ou seja, mais 25% do que no ano anterior. …” (Diário de Notícias, Portugal continua a ser um país de emigração, Céu Neves, 9 de Agosto de 2006)

“… só nos principais países de destino europeu, a percentagem de emigrantes aumentou 52,6% entre 2000 e 2006, de 419 047 para 639 612, revela o Relatório Internacional sobre Migrações de 2007 da OCDE …“ (idem)

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Algumas conclusões preliminares possíveis:

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– Estes dados apontam para uma variação negativa na criação real de emprego em Portugal no triénio 2005-2007. Exactamente o oposto do que prometia o candidato José Sousa (vulgo Sócrates), agora primeiro-ministro, nisto como em todas as promessas que fez então.

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Estes dados, conjugados com os dados da ANPME sobre o encerramento de empresas, configuram um cenário de retracção económica brutal no triénio 2005-2007, com as gravíssimas consequências sociais que ainda agora apenas começam a ser expostas.

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– O simples cálculo do PIL (Produto Interno Líquido) – um índice muito mais próximo da realidade económica, por tomar em conta a depreciação do capital – em 2007 mostra com toda a clareza a perigosa recessão económica do país, já muito próxima da depressão, dado que o crescimento do PIB (produto Interno Bruto) em 1,9% foi inferior ao da Inflação, que atingiu 2,5%.

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Esta situação vem a agravar-se fortemente em 2008 (o crescimento do PIB agora previsto em apenas 1,7% e a Inflação a situar-se nos 3,5%, na realidade 5% nos valores corrigidos) com o governo a fingir que está tudo bem, demonstrando a mais completa incapacidade de tomar quaisquer medidas de fomento e controle da economia.

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Este governo ps (pseudo-socialista) e a União Europeia com a qual está comprometido até à promiscuidade não servem os interesses dos portugueses, nem os de Portugal. Os ingleses, os dinamarqueses, os irlandeses e especialmente os Suíços sabem há muito tempo que a União Europeia, tal como está gizada, não serve os seus interesses nacionais – e não me venham cá com a desculpa da livre circulação de pessoas, bens e capitais, que isso nunca precisou de normas federativas para existir.

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à beira do abismo

3 responses to “A emigração e os falsos números do desemprego em Portugal.

  1. Um cenário deprimente e revoltante.

  2. Hoje no Jornal de Negócios:
    http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?CpContentId=317584
    Jovens qualificados em risco de viver pior que os pais
    Têm entre 30 e 35 anos de idade, formação superior, pós-graduações e mestrados, mas ganham entre 500 e 800 euros e estão a recibos verdes ou com contratos a prazo. Este é o retrato de uma geração – a quem já chamam “geração 500 euros” – que não encontra um lugar ao sol no mercado de trabalho e continua a depender dos pais ou a ter mais do que um emprego para conseguir ter autonomia.

  3. E andam por aí uns esclarecidos (incluindo uma certa jornalista FC) a dizer que é tudo falta de iniciativa e de adaptação à realidade! Qual realidade? A deles ou a do País?

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